quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Nesta Casa Tem Goteira/Pinga Ni Mim, Pinga Ni Mim, Pinga Ni Mim

Hoje foi um dia daqueles. 
Graças a Deus a chuva está caindo, mas a dose está um pouco fora de medida. 
Hoje, dia 25 de fevereiro deparei-me com uma situação inusitada. Há mais de 45 anos de São Paulo nunca tive que passar por isso. Um única vez em 1981, fui pego com aquela inundação na Grande S. Paulo, mas eu andava de carro e dava aula no ABC. Tive que fazer um circuito que contornava a marginal Tietê. Cheguei de madrugada, após ficar perambulando desde às 20:00 horas. Procurando uma passagem para a Zona Norte.
Mas hoje foi diferente. Estava dentro de um ônibus no horário de pico e com a chuva descendo ladeira abaixo. Passava das 16:00 horas e sai do centro da cidade. Rua Xavier Toledo rumo a Lapa, com o ônibus Linha 8400 - Terminal Pirituba, que passa na frente do meu prédio e o ponto é próximo da minha entrada principal. 

Ônibus com goteira

Música de Sérgio Reis: Nesta Casa Tem Goteira/Pinga Ni Mim, Pinga Ni Mim, Pinga Ni Mim/Nesta Casa Tem Goteira/Pinga Ni Mim, Pinga Ni Mim, Pinga Ni Mim, mudei pra "Nesse ônibus tem goteira, pinga ni mim..." (http://www.kboing.com.br/sergio-reis/1-84468/). 
A coisa estava tão feia que vi pelo menos quatro passageiros tirarem fotos para reclamar na SPTrans. – Uma vergonha, dizia uma tiazinha. Já pagamos R$ 3,50 e ainda tem goteira. Eu também tirei. Estão aí pra vocês verem. E ainda de quebra uma imagem minha, no estado que fiquei, após pedir para sair do busão, quando ele ficou parado, aguardando a liberação da via, próximo do Shopping da Lapa, quase a 100 metros do cruzamento que dava acesso ao viaduto da Lapa. Bem próximo de onde eu moro. Pedi ao motorista para liberar a porta de saída. Estávamos no sufoco. Ônibus cheio, gente de pé se espremendo igual sardinha em lata. Ninguém abria as janelas pelo fato da chuva ser levada pelo vento para dentro do ônibus. Não me aguentei, pedi arrego e sai pela porta de trás. Enfrentei a ira da chuva, mas era melhor do que o aperto. Rumei para o local onde a água impedia a circulação dos veículos. Aquilo iria demorar para baixar. O povo começou a buscar alternativa, contornamos a rua Catão, descemos e saímos na frente da subida do Viaduto. Lá fomos nós. Eu e mais uns inconsequentes que não suportaram a prisão do busão.

De volta para casa
Cheguei em casa após uns quinze minutos de água na cara. Preservei os eletrônicos e ainda passei na padoca para comprar aquele pãozinho francês fresquinho. As meninas do balcão que me conhecem se espantaram e perguntaram: – Seu Salim, o que é isso? Como um pinto molhado, respondo: – Água do céus. Bendita água do céus. Nas ruas inundadas, a enchente é culpa das autoridades e da população porca que joga lixo na rua. Não consegui fazer as fotos, mas as travessas que chegaram a cobrir carros, estavam cheias de papéis, sacos plásticos e outros troços, para não falar outra coisa. Lembrei do filminho dos anos 70: POVO DESENVOLVIDO, POVO LIMPO. Eu acrescentaria POVO CIVILIZADO. Hoje foi um dia daqueles, para os antigos que assistiram a velha Família Trapo da TV Record, canal 7, aquela com o Golias, Jô Soares e Renata Fronzi. Tinha o chefe da família, o comediante ítalo-brasileiro Zeloni que sempre falava quando acontecia uma cagada. "– Tudo acontece comigo, só comigo".

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Blitz do Vital - Eu não vou, vai você! Parte 3

Serviço especializados para pessoas especiais. Rampa para cadeirantes (horário e tipo de ônibus). Vai começar o jogo do empurra-empurra. Enquanto isso quem paga o pato?
Notem os cabos com as emendas (cotovelos) no alto.
Motoristas e cobradores que prestam os serviços de acordo com a direção do vento. Já de um tempo, vimos observando um certo desencontro na forma de colaboração entre os motoristas e os cobradores. Nos anos 2000, quando viajava nos troleibus, o elétrico, morador que era do bairro do Cambuci, notava quase sempre nos trajetos o maior problema dos ônibus elétricos que perdura até hoje e que nenhum engenheiro resolveu. As antenas pantográficas que transmitem a energia elétrica aérea aos acumuladores dos veículos. A cada curva, esses fios que conduzem a eletricidade, ligados através de emenda nos cabos. Existe um "cotovelo" que via de regra provoca um sobressalto na antena, que acaba se soltando e desligando a parte que desliza nos fios, e muitas vezes provocam faíscas assustando os passageiros e pedestres próximos. Pois bem, quem é que vai arrumar e recolocar as antenas nos lugares? Às vezes os motoristas, às vezes os cobradores. Não há consenso. Pura falta de disciplina vinda da garagem, e que os administradores poderiam definir. Simples assim, só que não! "– Deixa para quem quiser ou tiver maior boa vontade!" E em dias de chuvas, nem pensar! Quem vai? Eu não, vai você.

Ei pessoal da garagem!  Vamos acordar?

Essa falta de norma ou diretriz permanece até hoje. Nos veículos especiais, os que possuem sinalização indicativa de ônibus para deficientes físicos, cadeirantes por acaso, não tem a norma definida de quem aciona a rampa para o cadeirante subir e/ou descer. Tenho notado essa tarefa sendo feita em maior número pelos condutores do que pelos cobradores. Sendo que o normal, deveria ser o cobrador, já que o condutor deve estar atento aos comandos do ônibus, tais como freio de mão, portas de acesso e descidas e outros afazeres inerentes a sua principal função. O cobrador que conquistou um enorme alívio com o advento dos cartões magnéticos dos usuários, não precisando se importar com o troco etc, é quem deveria se encarregar de fazer esse trabalho e também das antenas do troleibus, lembram-se?
Acreditamos que a coisa está igual a uma história que ouvi quando jovem, sobre um soldado que ficava ao lado de um banco no quartel lá no estado do Amazonas. Um militar de alta patente em dia de visita viu um soldado ao lado de uma banco e perguntou para o oficial maior, de que se tratava? A resposta foi lacônica. "Temos este posto ocupado por um soldado desde que num tempo passado, quando recebermos a visita de um adido militar francês em nosso quartel, o responsável pelo setor que havia mandado pintar todos os bancos de branco e por não ter tido tempo de secar, colocou um recruta ao lado do banco para avisar que a tinta era fresca". Desde então, é norma ter um soldado ao lado de cada banco na entrada, nas ocasiões onde recebemos a visita de militares de alta patente, finaliza o militar inquerido.
No caso em pauta, os cobradores não fazem esse serviço e pronto. Lá vai o motorista fazer, já que a primeira palavra do usuário é: "Motorista, abra a porta". Se é ele quem abre a porta, ele então que faça a parte de entrada e saída do cadeirante. Simples assim.

Devemos evoluir mais na prestação de serviços

Nas viagens diárias dos ônibus notamos que precisamos evoluir muito. Ninguém se preocupa em melhorar os serviços. Ninguém também não exige melhoras. Reclamações são poucas e nem chegam aos órgãos normativos ou agências reguladoras, e estas por outro lado, não estão preocupadas com esse tipo de serviço. Respondem na defensiva: – Quem mandou não chamar pelo Atende*?
Aqui chegamos ao ponto de imaginar alguns funcionários dizendo: – Quem mandou ser aleijado, deficiente físico ou coisa que o valha? É o fim do mundo. De novo reclamamos a tal falta de treinamento. Cadê o RH, cadê os órgãos disciplinadores? Cadê a sociedade e ativistas da mobilidade? Oi, oi, cadê você? Hi, Hi, Hi.


* O Serviço de Atendimento Especial, ou #Atende, é uma modalidade de transporte gratuito, porta a porta, destinado às pessoas com deficiência física severa, as quais tenham vínculo à cadeira de rodas. Horário do serviço: o Atende funciona das 7h às 20h, de segunda-feira a domingo.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Blitz do Vital - Nossos condutores são os melhores? Parte 2

Colaboradores sem uniforme, sem crachás, cobradores despreparados, mau humorados e distraídos com o celular, etc.
Nossa blitz nos ônibus está sempre atrás de novidades, mesmo aos olhos mais acostumados às viagens diárias. Já abordamos em alguns posts, mas sempre é bom relembrar ou mostrar aos novos leitores as nossas observações nessas blitze. 
Muitos perguntam, por que o maior enfoque nos ônibus? É porque os usuários, os passageiros envolvidos tem um maior relacionamento com os condutores, os motoristas e os cobradores. Já nos trens, a relação dessa interatividade é quase que nula. Não há comunicação entre os condutores e passageiros,  já que os paradas são programadas nas estações, tenha quem sair ou não e ou tenha quem vá embarcar ou não. E dessa situação de envolvimento mais direto, acabam nos oferecendo maiores subsídios. Há casos de relatos surpreendentes. E é justamente sobre esses condutores dos ônibus que iremos discorrer nesse post. 

Limpeza acima de tudo
Muitas pessoas diriam que o ambiente corporativo deve ser bem organizado e isso é importante a partir do front, quando os colaboradores que tem contato direto com o público são notados. Quem é que não gostaria de encontrar um ônibus higienicamente bem limpo, desinfetado e cheirando novo, cuidado que é mantido nos trens do Metrô. Mas, muitas empresas de viação, não fazem isso. Os ônibus vivem imundos, sujos e muitas vezes como relatamos, com vômitos nos assentos, pichações e outros descuidos. É claro que muita coisa tem a ver com a educação dos usuários. Outros nem tanto, passar mal, ter distúrbios intestinais é inerente da vontade das pessoas, mas a limpeza é necessária de forma imediata. Outra coisa é a aparência dos funcionários. Bem penteados, bem barbados, bem vestidos com uniformes e etc. Só que não! Estamos vendo muitos colaboradores sem o uniforme, descuido com a aparência visual. Barba por fazer e cabelos sem pentear. Muitas vezes sem ficar atentos ao trabalho, uns cobradores tiram uma soneca na viagem, isso quando os usuários especiais ou quem paga em espécie não os acordam para validar a passagem na catraca. Mas o que nos choca é a falta da exigência do uso do uniforme. Isso é o mínimo que devemos exigir.

Mau humor dos cobradores

Em um dos posts publicados recentemente, comentamos que é necessário treinamentos aos cobradores e que esses exerçam o direito de pedir aos que ocupam o assento preferencial quando ocupados por pessoas sem o enquadramento de idosos, gestantes e deficientes. Pois bem, além de não haver esse tipo de capacitação, não há regras para a postura desse profissional. A desatenção é grande principalmente quando se está usando o celular ligado nas redes sociais ou nas mensagens online. Tudo pode acontecer ao lado da pessoa que não vê o que se passa em sua volta. Às vezes, fica tão mau humorado que passa a ser agressivo e desconta nos passageiros. 
Presenciamos uma cobradora da linha Lapa/Pça. Ramos - n. 8000 ônibus de numeração 12.969 da Viação Sta. Brígida, no horário das 11:03 horas, que destratou uma gestante que não poderia passar através da catraca, que havia solicitado ajuda da cobradora para girar a catraca e sair pela porta da frente. Resultado: a passageira registrou a reclamação fotografando a pessoa e anotou o telefone para as devidas queixas aos órgãos reguladores do transporte municipal da cidade de S. Paulo. Nós do Instituto Vital apoiamos a atitude da passageira. Assistimos o ocorrido e hipotecamos solidariedade.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Blitz do Vital. Vai um respeito aí? Parte 1

"Tô nem aí"
Pessoas que se fingem de mortos, que sempre estão com sono, que ficam ouvindo música pelo head-phone, sonsos, mal-educados, gente inescrupulosa, sem educação, folgada, insensível, sinônimos que não são poucos para demonstrar apenas uma coisa, FALTA DE CIVILIDADE.
As leis no Brasil são desrespeitadas e deturpadas diariamente. Ou por esquivas de interpretações jurídicas, fruto de manobras de advogados brilhantes a serviço do ilícito, ou cometidas simplesmente pelos maus cidadãos, que em sua maioria dos atos, nos deixam estupefatos com tamanha cara de pau ou às vezes, crueldade. Hoje as instituições como da boa educação, da gentileza, não existem mais. Basta olhar para a saída do elevador que ao se abrir, os que estão para sair são empurrados de volta para dentro, pois os que querem entrar não esperam pacientemente a saída das pessoas e ingressar após o elevador estar devidamente vazio. Porta de ônibus, de metrô, as portas automáticas de grandes lojas, enfim os atos da boa educação não existem mais neste mundo concorrido e predador em que vivemos.

Luta árdua

Nós do Instituto Vital, estamos nos deparando com essa guerra sem vencedores que só tem perdedores. Gente que se senta em locais preferenciais e de lá não saem por nada. Até nos desrespeitam verbalmente, partindo para ameaças de agressões físicas em muitos casos, quando há interversões de nossa parte. Em casos de viagens fora do pico, ainda temos menos registros de atritos quando partirmos para o convencimento da cessão do lugar aos mais necessitados em sua maioria idosos e mães com crianças. Apenas a figura da mulher gestante com a gravidez bem adiantada, ou seja, com aquele enorme barrigão, consegue sensibilizar o mais duro ocupante indevido do assento preferencial e muitas vezes assentos normais são oferecidos. É o milagre da multiplicação que atinge ao usuário mais insensível e radical, quer no horário normal e ou de pico com lotação máxima total.

Lei no. 10.048, de 08/Nov/2000

Dentre outros parágrafos, destaca-se: Art. 3o. – As empresas públicas de transporte e as concessionárias de transporte coletivo reservarão assentos, devidamente identificados, aos idosos, gestantes, lactantes, pessoas portadoras de deficiência e pessoas acompanhadas por crianças de colo.
Vale a pena lembrar sempre, que o direito dos idosos em sentar-se nos locais indicados visualmente, quer nos ônibus, trens e outros locais de acesso público é determinado por lei federal expressa. Ora então, os que zelam para o bom andamento e cumprimento da lei, o façam de maneira veemente. As empresas de transportes coletivos precisam elegerem e capacitarem os zeladores (motoristas e cobradores) dos direitos e que se faça cumprir a lei. Com a palavra as autoridades municipais, estaduais e federais, órgãos e entidades que regem as normas dos transportes público. A SPTrans e empresários de viações de transportes com concessões, devem entender que a civilidade deve prevalecer. 

O nosso Instituto Vital exige que se cumpram as leis.

Um exemplo a ser seguido. Numa de nossas blitze, visitamos o estacionamento do shopping Anália Franco, no bairro de mesmo nome, região da zona leste de S. Paulo. Era uma blitz num dia comum, sábado de manhã, ocasião propicia, pois nos finais de semana o afluxo de pessoas é maior nesse tipo de comércio, portanto o abuso é maior. Uma ação eficaz por parte da direção deste shopping fez a diferença. Como temos observado, nem todos os locais de estacionamento amplo tem esse cuidado.
É parte de uma proposta do Instituto Vital do Bem Estar da Terceira Idade, um projeto com atuação de voluntários para coibir os abusos nas vagas de estacionamentos, onde a pessoa sem a característica exigida pela lei, ocupe indevidamente o espaço reservado. Pois então, além de sinalização clara, colocaram um fiscal para que o local fosse mantido sob observação do cumprimento da lei. Parabéns. Lei boa é aquela que vinga, mas a lei que é permanentemente violada precisa de autoridades que a façam ser respeitada. É assim que se faz. Com o rigor ou com a adesão, se não for na base da educação, vai na base da ação forte e rigorosa.


terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Quando a esmola é boa, o santo desconfia

Hoje publicarei uma experiência nada agradável que vivi numa viagem de ônibus. Viagem esta que pensei muito em relatá-la. O assunto é surpreende e tem um final... bem deixa pra lá. Vamos a narrativa. Mais uma vez, por força do hábito e dever de ofício, lá fui eu pegar o ônibus e observar, como membro do Instituto Vital, se o Estatuto do Idoso está sendo respeitado. Afinal os lugares destinados aos preferenciais continuam sendo aviltados e diariamente verificamos que o respeito a esse direito vem sendo motivo de abusos por parte de irresponsáveis, mal-educados, falta de civilidade e pessoas inescrupulosas. É raro ver ou ouvir uma pessoa oferecer ou pedir para que algum idoso possa sentar-se no local reservado. Ouvir de um pedido do cobrador então, é coisa quase que impossível. 
Um dos desmandos que não podemos evitar. A pichação

A viagem escatológica
Porém num dia desses ao entrar no ônibus bi-articulado, por força do horário de pico, a empresa coloca às vezes um coletivo bem maior na capacidade de acomodar mais passageiros. Procuro sentar-me num desses lugares normais, deixando o local preferencial livre para os de direito se ocuparem dele. Sentei-me no meio do veículo, antes da sanfona (junção das duas partes do ônibus), onde o espaço é disputadíssimo, pois é a parte mais larga e justamente as pessoas se encostam nas ranhuras da tal sanfona. Ao longe via perfeitamente como estava a ocupação na parte final do veículo. Estava justamente sentado na assento que fica invertido, ou seja, sentido de costas para o motorista, dai a visão para o fundão. De lá via-se perfeitamente os quatro assentos preferenciais destinados aos idosos, gestantes, mães com criança de colo e deficientes. Duas para cada lado. Pois então. A minha frente os dois assentos da minha direita ocupados. Do outro lado, a esquerda, permanecia vazio. Pensei de longe, as pessoas que permaneciam de pé eram todas jovens e que maravilha, EDUCADOS! Destinavam os assentos aos de direito. E segue o ônibus, pára num ponto, sobe e desce normal dos passageiros, e o lugar permanecia desocupado. No meio da viagem com o ônibus abarrotado, gente se espremendo na tal sanfona. Corredores cheios. E os dois lugares vazios. Santa misericórdia, que gente civilizada. O Instituto Vital não vai ter muito trabalho, esse pessoal é muito respeitoso. 

Chegada triunfal da menina 

Quase no meio do caminho, parada no ponto da avenida Matarazzo, próximo do shopping Bourbon e do Estádio Allianz Parque, do glorioso clube da Sociedade Esportiva Palmeiras, sobe uma moça bem gordinha e com o celular ligado por fios presos ao ouvido, cheia de bolsas a tiracolo, vai pro fundo do ônibus e pasmem, senta-se naquele reservado para os preferenciais. De repente aos brados, volta-se no sentido contrário e vindo ao encontro de onde eu estava sentado, bradando: – Vômito, vômito, vômito, que nojo!!! 
Não sei bem para quem ela dizia tudo aquilo. Para nós passageiros, para o motorista e cobrador, para o interlocutor com quem falava ao telefone?
Foi uma loucura para os que estavam do lado oposto daquele lugar. Pois os que lá passaram, ao ver a sujeira, saiam de fininho e permaneciam por lá de pé e calados. O lugar então ficava vazio e eu sem a menor noção, ficava elucubrando com as minhas teses sociais e defesa dos direitos dos idosos, dizendo que povo civilizado. Qual nada. Lembrei-me do dito popular antigo. "Quando a esmola é boa, o santo desconfia". 

Ô você das empresas de ônibus, higienização e limpeza nos ônibus é OBRIGAÇÃO DIÁRIA, não somos escória e nem porcos. Já chega o desrespeito aos idosos, e isso é desrespeito aos cidadãos. Vamos melhorar!

sábado, 17 de janeiro de 2015

Je suis Estatuto do Idoso, apliquem a lei, pô!

O busão, o cobrador e o avestruz.
Nunca pensei que poderia escrever sobre isto. Quem olhar o título vai pensar do que se trata? O cara pirou na maionese. Pois bem! Vamos aos fatos.
Como sabem, fundei o Instituto Vital do Bem Estar da Terceira Idade/Anjos da 3a. Idade há menos de um ano. O que me levou a percorrer esse caminho foram muitas razões, pois busquei sempre me engajar no serviço social, por humanidade, solidariedade e mais uns outros que tais. Confesso que fui muito ingênuo em ter uma visão periférica sobre o tema. Peguei o Estatuto do Idoso, e disse: – Vamos lutar pelos seus direitos, já que estava escrito na lei, cumpra-se a lei. Ledo engano. Leis em nosso país foram feitas para serem desrespeitadas, burladas, travadas, proteladas, inviabilizadas, etc. De uma lado os advogados altamente bem remunerados e com as suas equipes trabalhando para anular as punições e ou penas aos seus clientes. Mas existe uma outra questão muito forte nesse angu. A educação. A civilidade, o respeito, comportamentos alterados pela ignorância das pessoas. Além disso, não há o zelo pelo exercício simples da aplicação da lei. Ai que entra o que senti na pele e foi a razão do nosso título. E mais ainda, por que o avestruz? Por que esse animal foi lembrado justamente com os ônibus (busão), motoristas e cobradores? Simplesmente pelo fato de algo importantíssimo não ter sido aplicado. Vamos a ele.

Treinamento

Treinamento aos funcionários das empresas de ônibus. É notório a falta de capacitação aos colaboradores das empresas de viação. Algo que nunca passou pelo grifo dos dirigentes e empresários do setor e muito menos aos órgãos reguladores e autoridades dos governos, que nunca fizeram valer a sua aplicação. Uma verdadeira música do crioulo doido. Ninguém quer saber, é o jogo do empurra-empurra, seja o que Deus dará. Pega seu boné e vá para o seu posto, trabalhe e pronto. Simples assim? Muitas vezes sem um uniforme sequer. Só que não.

"Tô nem aí!"

É sabido que os ônibus possuem sinalização em destaque para os assentos preferenciais. Idosos, mães gestantes e com crianças de colo, os cadeirantes e deficientes, que possuem esse direito, regulados por lei. Os assentos são visualmente diferentes e possuem identificação visual bem definida. 
É a lei que os ampara. É a lei que deve imperar. E os funcionários condutores daquele veículo são os responsáveis em fazer valer este direito, fazendo a lei ser respeitada. Basta avisar o cidadão desatento que ocupa o lugar reservado à preferência e ceder o lugar e pronto. Mas não. Na falta de ação destes mesmos condutores e na falta de educação dos usuários do transporte coletivo, impera a lei de Gerson, aliás a única lei que pegou neste país.

Terra de ninguém.

Sem o império da lei ou sem os mantenedores da aplicação da lei para funcionar, não há respeito. Não há vontade para se aplicar a lei. Aqui no Brasil há aquela máxima, deixe que as coisas se arrumem é mais cômodo, bem mais fácil, pra que arrumar confusão, vai que o cidadão fica revoltado e saca uma arma e pronto está feita a merda. Muitos pensam assim, não é?
Ouço muito. Fulano levou um soco na cara só porque a pessoa olhou torta para ele lá no Metrô ou trem da CPTM. Não é assim, gente. É preciso fazer valer os nossos direitos, se calarmos, a ignorância e a truculência  vence. Não é o que estão dizendo sobre os atentados na França? Se querem calar a imprensa, devemos nos defender e fazer valer o nosso direito. O mesmo raciocínio se aplica aqui. Nada mudou de lugar. Lei é lei. Respeito é respeito. Vamos acreditar, vamos lutar!

Está na hora de agir e capacitar.

Os motoristas e cobradores de ônibus devem ter o mesmo poder de autoridade que os comandantes aeronautas tem sobre o avião em que estão operando. É de conhecimento público o poder de autoridade que o comandante tem na aeronave. A palavra final é do comandante, que afinal comanda, ou seja, manda. O mesmo poder o capitão de um navio também possui. Esse mesmo direito deve ser estabelecido e dado aos condutores dos ônibus. O poder de autoridade. Mas para isso devemos treiná-los, informá-los da lei, dos direitos estabelecidos nos Estatutos. Os empresários das viações concessionárias e as autoridades municipais, estaduais e federais, políticos e legisladores, devem aplicar a obrigatoriedade de se fazer os cursos de treinamento e capacitação a todos os funcionários, através das áreas de Recursos Humanos, e assim, os funcionários cientes de seus deveres e obrigações, farão valer a lei em cada veículo nesta cidade. Os idosos, as mães gestantes e os deficientes, agradecerão de coração o que foi dado a eles por lei e que nós os cidadãos do bem fizemos para valer esses direitos. O Instituto Vital se oferece em colaborar e ajudar nessa implementação dos cursos. 

E o avestruz? 

Por que ele não foi lembrado ou citado nesse artigo? Ah, o avestruz se escondeu, enfiando a cabeça no buraco fingindo que nada sabia sobre esse assunto que abordamos. Digo isso porque vejo quase sempre os cobradores fingindo de mortos e virando as costas ou se utilizando de aparelhos celulares para não ter que pedir aos usuários dos assentos preferenciais que cedam o lugar aos idosos, menores especiais, grávidas e mães com crianças de colo. Lamentável, senhores. Tristemente lamentável.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Filas em lotéricas e lojas em liquidação. Aqui os idosos não são prioridade.

Janeiro primeiro mês de 2015. Será que as coisas irão mudar como diz a esperança?
Janeiro, mês tranquilo nas ruas, porém mês de despesas que nos deixam loucos. Matrículas, material escolar, IPVA, DPVAT, IPTU, cartões de crédito cobrando as contas efetuadas em dezembro, presentes de Natal, despesas das compras para as festas, viagens, férias, etc... Mas janeiro continua na mesma. 
Por ser férias, as ruas estão mais tranquilas, digo o trânsito está mais tranquilo. Os assentos nos ônibus e trens estão mais vagos. Talvez por isso não há tanto desrespeito nos assentos preferenciais, eventualmente nestes dias de chuvas e enchentes, implantou-se o caos, por por algumas horas apenas, mas na média geral está tranquilo. 
Mas que janeiro é este? Um mês conhecido como o mais cruel com a nossa economia familiar. Famílias ficam com a faca no pescoço. Conta no vermelho, o cheque especial já começa mostrar a trilha trágica da degola sem fim. No entanto, sendo janeiro o mês fatídico, me deparo com uma fila interminável para se fazer compras! É isso mesmo. Um fila sem fim! Um povo desembestado, feroz e sem controle indo às compras da liquidação do Magazine Luiza. Não acredito! Paro em frente, procuro, por força do hábito, a preferência para os idosos, gestantes e cadeirantes. Não encontro e acabo constatando que é uma fila só, salve-se quem puder, que se arrume, passe por cima, vem segurança tentar por ordem na situação, mas a força e a falta de educação impera. Uma verdadeira loucura neste mês de janeiro. Aquele justamente que é o mês do acerto das contas. 

Está sobrando grana?

Será que sobrou algum dinheiro ainda? Parece que sim! Lá se vão os "consumidores" espertos e mau-educados. 

Do outro lado da rua me deparo com outra fila. Ah, essa é menos insana do que a outra. Essa é dos que apostam na sorte. Será que ganharão a mega-sena acumulada? Uma triste sina do brasileiro. Acreditar na sorte para sair dos problemas que trazem consigo a vida toda. O brasileiro é acima de tudo um otimista, acredita que um dia sairá do buraco. A Jogobrás (governo) vive disso, afinal todo santo dia tem um jogo para apostar e por consequência para se arriscar na fé dos números e acreditar que vem a salvação da lavoura. 

O Bingo não acabou?

Bingo, acerto dos seis números mágicos. A quina serve, dizem. Poucos ganham, a maioria segue a triste realidade da vida cotidiana. Vem depois a frustração, a choradeira e a espera para outros jogos da semana, do mês que acaba, do mês que começa e a vida que continua. E ainda estamos nos primeiros 12 dias do mês de janeiro. 
Artigo de Jorge Salim, diretor presidente do Instituto Vital.