quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Blitz do Vital - Eu não vou, vai você! Parte 3

Serviço especializados para pessoas especiais. Rampa para cadeirantes (horário e tipo de ônibus). Vai começar o jogo do empurra-empurra. Enquanto isso quem paga o pato?
Notem os cabos com as emendas (cotovelos) no alto.
Motoristas e cobradores que prestam os serviços de acordo com a direção do vento. Já de um tempo, vimos observando um certo desencontro na forma de colaboração entre os motoristas e os cobradores. Nos anos 2000, quando viajava nos troleibus, o elétrico, morador que era do bairro do Cambuci, notava quase sempre nos trajetos o maior problema dos ônibus elétricos que perdura até hoje e que nenhum engenheiro resolveu. As antenas pantográficas que transmitem a energia elétrica aérea aos acumuladores dos veículos. A cada curva, esses fios que conduzem a eletricidade, ligados através de emenda nos cabos. Existe um "cotovelo" que via de regra provoca um sobressalto na antena, que acaba se soltando e desligando a parte que desliza nos fios, e muitas vezes provocam faíscas assustando os passageiros e pedestres próximos. Pois bem, quem é que vai arrumar e recolocar as antenas nos lugares? Às vezes os motoristas, às vezes os cobradores. Não há consenso. Pura falta de disciplina vinda da garagem, e que os administradores poderiam definir. Simples assim, só que não! "– Deixa para quem quiser ou tiver maior boa vontade!" E em dias de chuvas, nem pensar! Quem vai? Eu não, vai você.

Ei pessoal da garagem!  Vamos acordar?

Essa falta de norma ou diretriz permanece até hoje. Nos veículos especiais, os que possuem sinalização indicativa de ônibus para deficientes físicos, cadeirantes por acaso, não tem a norma definida de quem aciona a rampa para o cadeirante subir e/ou descer. Tenho notado essa tarefa sendo feita em maior número pelos condutores do que pelos cobradores. Sendo que o normal, deveria ser o cobrador, já que o condutor deve estar atento aos comandos do ônibus, tais como freio de mão, portas de acesso e descidas e outros afazeres inerentes a sua principal função. O cobrador que conquistou um enorme alívio com o advento dos cartões magnéticos dos usuários, não precisando se importar com o troco etc, é quem deveria se encarregar de fazer esse trabalho e também das antenas do troleibus, lembram-se?
Acreditamos que a coisa está igual a uma história que ouvi quando jovem, sobre um soldado que ficava ao lado de um banco no quartel lá no estado do Amazonas. Um militar de alta patente em dia de visita viu um soldado ao lado de uma banco e perguntou para o oficial maior, de que se tratava? A resposta foi lacônica. "Temos este posto ocupado por um soldado desde que num tempo passado, quando recebermos a visita de um adido militar francês em nosso quartel, o responsável pelo setor que havia mandado pintar todos os bancos de branco e por não ter tido tempo de secar, colocou um recruta ao lado do banco para avisar que a tinta era fresca". Desde então, é norma ter um soldado ao lado de cada banco na entrada, nas ocasiões onde recebemos a visita de militares de alta patente, finaliza o militar inquerido.
No caso em pauta, os cobradores não fazem esse serviço e pronto. Lá vai o motorista fazer, já que a primeira palavra do usuário é: "Motorista, abra a porta". Se é ele quem abre a porta, ele então que faça a parte de entrada e saída do cadeirante. Simples assim.

Devemos evoluir mais na prestação de serviços

Nas viagens diárias dos ônibus notamos que precisamos evoluir muito. Ninguém se preocupa em melhorar os serviços. Ninguém também não exige melhoras. Reclamações são poucas e nem chegam aos órgãos normativos ou agências reguladoras, e estas por outro lado, não estão preocupadas com esse tipo de serviço. Respondem na defensiva: – Quem mandou não chamar pelo Atende*?
Aqui chegamos ao ponto de imaginar alguns funcionários dizendo: – Quem mandou ser aleijado, deficiente físico ou coisa que o valha? É o fim do mundo. De novo reclamamos a tal falta de treinamento. Cadê o RH, cadê os órgãos disciplinadores? Cadê a sociedade e ativistas da mobilidade? Oi, oi, cadê você? Hi, Hi, Hi.


* O Serviço de Atendimento Especial, ou #Atende, é uma modalidade de transporte gratuito, porta a porta, destinado às pessoas com deficiência física severa, as quais tenham vínculo à cadeira de rodas. Horário do serviço: o Atende funciona das 7h às 20h, de segunda-feira a domingo.

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