quinta-feira, 25 de junho de 2015

Quem quer salvar o mundo?

Leve o espírito olímpico para a sua vida.
De tempos em tempos, volta e meia a mídia acorda para algo que deveria ser uma ação permanente, ou seja, uma educação perene, uma participação ativa da sociedade e aos elementos envolvidos neste processo.
Pessoas, cidadãos, população, todos estes envolvidos deveriam ser permanentemente cumpridores de atos e atitudes civilizadas em qualquer lugar em qualquer época. 
Em casa, nos recintos públicos, nos transportes, na rua, enfim em todos os lugares.
O que parece ser obrigação, uma coisa natural, é citada como casos únicos, dignos de exemplos e são comentados como exceção à regra. Viram vídeos que virilizam nas redes sociais. 
São citados em programas e noticiários como um exemplo a ser seguido. Ora bolas, não concordo. Para que ser comentado como algo diferente, algo inusitado, algo que deveria ser seguido como exemplo? 
Divulgação
O que deveria ser normal é comentado como anormal?

Acredito que deveria ser corriqueiro. Normal, comum, usual e não diferente, ocasional, e não ser festejado como uma atitude anormal. 
Vemos alguns posts nas redes, onde as pessoas comentam incrédulas que um idoso foi despeitado no transporte público não tendo condições de se utilizar do local preferencial.
Vídeos de algumas pessoas fazendo atos agressivos punindo os motoristas de carros que estacionaram em vagas para deficientes, gestantes ou idosos.
Por que tanto espanto nos dois casos. Um que fez algo civilizado e se comportou como um cidadão educado e o outro, quando se aplicou a Lei de Talião, a tal regra dente por dente.
Creio que nos dois casos, por serem exemplos, um de respeito e outro de punição, atinja as pessoas como modelos do comportamento de uma sociedade que se esqueceu de suas atribuições.

De quem é a culpa?

Culpa do Estado? Culpa dos tempos de sobrevivência? Culpa da falta de educação que deveria vir do berço? Culpa do pai e mãe que não mais permanecem com os filhos na infância e saem mais cedo para a luta e sobreviver?
Culpa do sucateamento do ensino, dos governantes que não mais priorizam a educação? Culpa e mais culpa.
Se formos seguir a essa mazela, deveríamos desistir de vez. Liga-se o foda-se, pau nos culpados e aos que dependem da boa vontade dos outros.
Me decepciono ao ver a maioria desistir e os mansos se conformarem. "É assim mesmo, deixa pra lá". O povo, em sua maioria não reage. Ninguém procura lutar em defesa dos outros. Somos individualistas e covardes. 

Aproveitadores, os mesmos oportunistas de sempre.

Ah, tem os políticos, os pais dos pobres. Ledo engano. Políticos e dirigentes religiosos, começam simples e humildes, depois adquirem poder, e principalmente, dinheiro e de repente tudo se transforma. O pai dos pobres, o pastor, o dirigente, todos quando se tornam poderosos, acabam muito ocupados e se esquecem daqueles que acreditaram na causa. É o triste destino do eleitor e do fiel, que se manterão nas calçadas. 
O exemplo deles contamina os segundos escalões e a pirâmide abaixo. Depois disso salve-se quem puder. Os bem aventurados, que ainda existem, seguem a triste sina de continuar a lutar pelos direitos dos mais fracos e desrespeitados.
A mídia com os geniais criadores fazem comerciais e peças de propaganda, mais preocupados em ganhar prêmios nos festivais publicitários, mostram aquele mundo ideal e as redes comentam para mais tarde, aquele mesmo assunto abordado cair no esquecimento.


Tudo de novo.

Depois vem outro grande evento mundial, retomam o assunto, veiculam, virilizam e a coisa se repete. Acho que é hora de uma revolução. Um novo tempo. Começarmos duas linhas de ação. Um, o primeiro, seria o brado dos mansos. Lutarmos pelos nossos direitos. Se for necessário, usar a força. 
Outro dia no trem da CPTM, vi um senhor de idade tirar um jovem do assento destinado aos preferenciais. Dizia ele, que estava exigindo respeito pelo anos que ele havia trabalhado, produziu para a sociedade e que ele, já idoso tinha direito a aquele lugar.
Que aquele jovem aguardasse o seu tempo, que prestasse serviços e que após a longa caminhada fizesse, no futuro, o mesmo que ele. Aquele o senhor de idade, estava fazendo naquele momento o que todos deveriam fazer, lutar pelos seus direitos, mesmo que fosse no grito. Todos os usuários daquele trem se calaram em suas hipocrisias naquele vagão. É esse silêncio que me corrói.
Cumprimentei-o e disse aos mais próximos que lá estavam, que usaria aquele testemunho em meus posts, como faço agora.

Educação, é a única saída. 

A segunda parte, seria a Educação. Exigirmos que estes governos corruptos, que só querem extrair a grana para si próprios, que façam algo para iniciarmos uma cruzada para a educação deste país.
Aqui, faço um exercício utópico em minha mente. Queria que tivéssemos um rodízio de países. Que o Brasil trocasse com o Japão. Que os japoneses tivessem uma larga extensão de terra como nós brasileiros e vice-versa. Que nós brasileiros vivêssemos numa ilha.

Utopia e harakiri.

Como seria? Este país, o Brasil com os japoneses, provavelmente seria o maior do mundo. Na educação, no respeito, na tradição de zelar pelos mais velhos, pelo respeito a natureza, talvez não perderíamos a Amazônia, não teríamos desmatamento desenfreado. 

Enquanto a ilha, provavelmente estaria afundando-se com tanta sujeira, lixos, poluição nos rios, ruas, bairros e cidades. Ninguém estaria andando, porque não haveria espaço para tanto carro estacionado nas duas mãos das ruas.
Com certeza, no primeiro terremoto, não faríamos nada para consertar.

Escolas sujas, carteiras quebradas e com os alunos agredindo aos professores, enfim não mais teríamos o ensino. Greves, assaltos, enchentes, caos urbano, corrupção nem se fala. Se seguissem o Harakiri, estariam todos mortos. Suicídio geral nos escândalos do Mensalão, Lava Jato e outros mais.
Vocês se lembram dos jogos do Japão na última Copa do Mundo? Os torcedores japoneses recolhendo o lixo que foi jogado no estádio, após o jogo terminar. Ouvi-se muito quando saiu nos noticiários que deveríamos fazer igual. Fizemos?
Pobre desse espírito olímpico em nossas vidas brasileiras.
Clique nestes dois links abaixo.

https://www.youtube.com/watch?v=HZbNSsBmNWU&list=PLT-eKM4S_uC_ScdsIBUXGq56RtM4AzEeF 


https://www.youtube.com/watch?v=PXUaUbHwQtg

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Ônibus municipais, um roteiro de horror de filmes B

Terminal da Lapa para o centro de S. Paulo, Praça Ramos.
Um festival de incoerências. Trajeto digno de um roteiro de horror de um filme B.
Desde o ponto inicial do ônibus com destino final o que chamam de Praça Ramos, que na verdade é na Rua Xavier de Toledo.
E o pior, ninguém reclama. Nem o usuário prejudicado pelo péssimo serviço, nem o cidadão que clama por direitos, respeito e dignidade.
Vamos aos relatos. O Instituto Vital deverá promover uma pesquisa urgente com fundos próprios, salvo se não houver alguma entidade, pessoas com visão filantrópica para nos ajudar. 

Pesquisa de campo que falta
Esta pesquisa servirá de embasamento para provar o total desleixo e falta de vontade das autoridades municipais, quer executivo, quer legislativo, empresários das empresas de ônibus e os sindicatos dos motoristas e cobradores.
Numa simples viagem a partir das 10:30 horas, vimos absurdos e porque não, abusos a qualquer dignidade das pessoas, quer idosos, foco principal do nosso Instituto Vital, quer de pessoas usuárias normais das linhas de ônibus.
É sabido que nesse horário o número de idosos é maior do que os outros, por exemplo mais cedo. Esses mesmos usuários da terceira idade, permanecem na frente do ônibus, antes da catraca e em consequência congestionam essa parte do ônibus, que possuí um maior número de assentos preferenciais, em torno de oito lugares dependendo da configuração e tipo de veículo.Também acabam impedindo a passagem de outros que por ventura queiram atravessar a catraca. 

Cadê o cobrador?

Para complicar o cobrador não estava em seu posto de trabalho. Não podemos entender. Como se abre a porta de ingresso de pessoas e o cobrador, que deveria estar lá para validar a passagem dos idosos, não estava. Os outros passageiros que passam apenas com o Bilhete Único, acabam ocupando os lugares e deixam sem opção para os que passarão após a chegada do tal cobrador. 
Isso é de uma insensibilidade ímpar. Resultado, os outros assentos preferenciais acabam sendo ocupados por pessoas que não são preferenciais e o idoso fica de pé. Aquele cobrador, o tal atrasadinho, nem se vale de pedir que o passageiro ceda o espaço ao idoso. Uma vergonha. Quem acaba fazendo isso, no caso, somos nós e para o olhar 33 de quem está sendo convidado a permitir que o idoso se ocupe de seu espaço por direito. Cidadania se faz com educação. E nesse país se vê de tudo, menos a educação. Cada vez mais teremos esses atos de desrespeito, infelizmente.

Segue a aventura

Seguindo para a cidade nos deparamos com o caos do trânsito. A essas horas? Quase 11:00. Ah, são as reformas debaixo do Minhocão. São obras do Haddad. O tal prefeito das ciclovias. Uma verdadeira zona implantada desde janeiro e há quase seis meses deixando o trajeto uma verdadeira rota de guerra no Oriente, como na Síria e no Iraque.
Tem planejamento nessa cidade? Claro que não. Tem ônibus com a configuração para esse número alto de idosos neste horário? Claro que não. Tem cobrador capacitado para exercer e estabelecer a ordem naquele coletivo? Claro que não.

Adotem uma nova ideia.

Nesse caso, vai aqui uma ideia. Porque não o ônibus inteiro ter os assentos preferenciais e em caso de ausência deste, o espaço poderá ser ocupado pelos outros? É de se pensar, não, políticos?
Mulheres com crianças de colo, gestantes, deficientes e até os obesos, em sua maioria ficam de pé. Salvo uma pessoa consciente e educada, vale dizer, que acaba cedendo o seu lugar. Caso contrário, o ônibus é o transporte mais desumano desta cidade. Alô seu prefeito, seus vereadores, autoridades, vamos tomar vergonha na cara e fazer algo. 
Isso ai que está não condiz com o século 21. 
Há modelos que usam coisas dos anos 50. A começar pelos nomes das rotas de ônibus. Algumas ainda usam as trilhas dos antigos bondes. O troleibus por exemplo. A Praça Ramos está longe do ponto final. Mas o nome da rota está lá. Deveria ser rua Xavier de Toledo. E o ônibus nem pára no ponto da Praça Ramos, quando ele faz o caminho de volta para o bairro da Lapa. Fala sério.

terça-feira, 17 de março de 2015

Quem vai sentar primeiro?

De quem é a maior prioridade?
Não sabemos se todos já notaram, mas os veículos de transporte coletivos, quer ônibus, quer os trens, estão com um adesivo novo e mais completo. O que já existia em alguns veículos ou estações, agora passou a ser regra geral. Os obesos estão também na lista de preferenciais. E é justamente aí que a questão de qual é a maior prioridade, ou o que é mais prioritário do que o outro? Diriam as autoridades que o bom senso que normatizará o seu uso. Ora, num mundo em que as pessoas mal-educadas já não respeitam o que existia anteriormente, será que hoje irão mudar o seu comportamento? Cremos que irão continuar da mesma forma. Muito embora alguns dos eleitos como preferenciais, como é o caso dos deficientes e idosos, possuem estatutos que estabelecem por meio de lei, as normas e os direitos em seus enunciados. 


Quem tem prioridade?

Neste grupo preferencial acrescentaram os obesos. É uma bela tese para se discutir quem será hierarquicamente o prioritário. Pela sequência das figuras não é, afirmamos desde já, já que os obesos são os primeiros e os deficiente e idosos ficam bem no final. Vemos notadamente enfoques diferentes em cada caso. Idoso não é doença, é consequência de uma vida longeva. Gravidez e mães com crianças de colo, são temporários e também não é doença, é consequência da vida. Já os deficientes são por doença da poliomelite e paralisia mental, além de serem acometidos por acidentes graves que tornam os indivíduos impossibilitados de se moverem independentemente, ou com muletas, carrinhos de rodas, ou com ajuda de pessoas. Restam os obesos. Nem podemos classificar como doentes ou consequências. Hereditariamente existem pessoas acima do peso, que podem ser combatidas com remédios, exercícios físicos, dietas e não raramente podemos atribuir a obesidade mórbida como doença. Então como ficamos? Um idoso deve se levantar e deixar um obeso sentar-se no assento preferencial? Quem é o mais prioritário? Ou até uma gestante ainda nos primeiros meses deve se sentar no lugar do idoso ou obeso.

Cada vez mais precisamos de educação

Achamos que esses conflitos continuarão a nos questionar. Educação, bom senso, gentileza, cidadania, enfim deixemos eles se ajeitarem. O Instituto Vital presenciou recentemente uma situação que nos levou esse questionamento. Por iniciativa própria, um idoso cedeu o seu lugar para uma gestante, uma outra pessoa que estava por perto, uma senhora mais idosa ao lado tomou prontamente o assento no lugar cedido à gestante. A gestante não conseguindo se sentar ficou decepcionada e imediatamente uma outra pessoa, que não estava no local preferencial cedeu o seu lugar para a moça grávida. Ao mesmo tempo, o clima ficou quente e muitos questionaram aquela senhora idosa, que mal-educada destratou a todos. E nós registramos esse ocorrido com muita preocupação. É preciso bom senso? Às vezes não. É a educação que fará os conflitos diminuirem. Afinal, se deixarmos para as pessoas se entenderem, ninguém sairá bem na fita, ou no assento, quer preferencial ou no comum.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Sorrir, o verdadeiro antídoto para enfrentar o sufoco dos transportes.

Mini-blitz – Terminal da Lapa
Impressões de uma manhã no Terminal da Lapa. Os usuários já conhecem bem. Um terminal muito utilizado por ser um ponto estratégico na Região Oeste. O terminal envolve num lado ônibus e fica bem próximo a uma estação de trem CPTM - Lapa. Quem desce ou sobe neste local, segue apenas uma estação e desembarca em outro terminal, o da Barra Funda e faz a integração com os trens do Metrô. Se seguir do Terminal da Lapa cerca de 500 metros caminhando a pé no sentido oposto, pode encontrar a outra estação CPTM - Lapa, próxima do Mercado Municipal e as ruas de comércio muito ativo como a rua 12 de Outubro e segue, via a linha Rubi, no. 7 que serve até a cidade vizinha de Francisco Morato, além de estações intermediárias, Pirituba, Jaraguá e Perus. 
Muita gente, além dos passageiros usuais

Por ser um entrocamento modal, há muitas particularidades e peculiaridades na circulação de pessoas. Também temos outros serviços que os usuários de transportes utilizam, tais como: carregamento de Bilhete Único, pedidos de novos cartões, de bilhetes para estudantes, cancelamento e as substituições pela segunda-via, que acabam transformando os guichês de serviços em filas intermináveis, onde o serviço terceirizado não respeita a preferência para os idosos e gestantes, no que pudemos observar. 
O atendimento leva de 10 a 20 minutos por pessoa, e esse delay no atendimento, faz dos mais idosos, que permanecem de pé, um grande sacrifício. Apesar de observarmos que existem monitores com o jaleco amarelo (Posso Ajudar?) para poder auxiliar eventualmente quem as procuram. 

Como valorizar os profissionais?

De volta aos ônibus, hoje tivemos uma grata experiência que nos deu uma nova ideia para estudos no Instituto Vital. Trata-se da simpatia dos condutores, motoristas e cobradores dos ônibus. Notamos que a viagem se torna bem agradável quando os sorrisos ficam estampados nos funcionários. É claro que a hora ajudava. Passava das 10:00 horas e ainda as viagens não haviam provocado os desgastes de vários trajetos de ida/volta, com trânsito, gente e etc. 
O motorista estava calmo, fez um percurso sereno e tranquilo. Nada de freadas e saídas celeres. Manteve a paciência nas descidas e/ou subidas de usuários com limitação motora.
E o cobrador, uma verdadeiro comediante, no bom sentido. Sempre sorridente, brincalhão, atendia a todos da mesma maneira, em alto astral. Informava aos passageiros o ponto que deveriam descer com antecedência, evitando assim os empurrões e pressa ao sair, podendo alguém sofrer algum acidente. Pensamos na hora, vamos elaborar o Troféu Vital de Simpatia. Por que não? Vamos estudar e colocar em prática, essa valorização do profissional do transporte urbano de S. Paulo e região. Estaremos em breve falando com os sindicatos e empresas de viação para este estudo.


Amanhã

Também no próximo post, iremos abordar outra coisa que observamos nas viagens. Quem tem a prioridade no assento preferencial? 

- Um idoso com dificuldades de locomoção deve ceder o seu lugar à uma gestante ou mulher com filho de colo? 
Até o próximo, #amigosdosidosos

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Nesta Casa Tem Goteira/Pinga Ni Mim, Pinga Ni Mim, Pinga Ni Mim

Hoje foi um dia daqueles. 
Graças a Deus a chuva está caindo, mas a dose está um pouco fora de medida. 
Hoje, dia 25 de fevereiro deparei-me com uma situação inusitada. Há mais de 45 anos de São Paulo nunca tive que passar por isso. Um única vez em 1981, fui pego com aquela inundação na Grande S. Paulo, mas eu andava de carro e dava aula no ABC. Tive que fazer um circuito que contornava a marginal Tietê. Cheguei de madrugada, após ficar perambulando desde às 20:00 horas. Procurando uma passagem para a Zona Norte.
Mas hoje foi diferente. Estava dentro de um ônibus no horário de pico e com a chuva descendo ladeira abaixo. Passava das 16:00 horas e sai do centro da cidade. Rua Xavier Toledo rumo a Lapa, com o ônibus Linha 8400 - Terminal Pirituba, que passa na frente do meu prédio e o ponto é próximo da minha entrada principal. 

Ônibus com goteira

Música de Sérgio Reis: Nesta Casa Tem Goteira/Pinga Ni Mim, Pinga Ni Mim, Pinga Ni Mim/Nesta Casa Tem Goteira/Pinga Ni Mim, Pinga Ni Mim, Pinga Ni Mim, mudei pra "Nesse ônibus tem goteira, pinga ni mim..." (http://www.kboing.com.br/sergio-reis/1-84468/). 
A coisa estava tão feia que vi pelo menos quatro passageiros tirarem fotos para reclamar na SPTrans. – Uma vergonha, dizia uma tiazinha. Já pagamos R$ 3,50 e ainda tem goteira. Eu também tirei. Estão aí pra vocês verem. E ainda de quebra uma imagem minha, no estado que fiquei, após pedir para sair do busão, quando ele ficou parado, aguardando a liberação da via, próximo do Shopping da Lapa, quase a 100 metros do cruzamento que dava acesso ao viaduto da Lapa. Bem próximo de onde eu moro. Pedi ao motorista para liberar a porta de saída. Estávamos no sufoco. Ônibus cheio, gente de pé se espremendo igual sardinha em lata. Ninguém abria as janelas pelo fato da chuva ser levada pelo vento para dentro do ônibus. Não me aguentei, pedi arrego e sai pela porta de trás. Enfrentei a ira da chuva, mas era melhor do que o aperto. Rumei para o local onde a água impedia a circulação dos veículos. Aquilo iria demorar para baixar. O povo começou a buscar alternativa, contornamos a rua Catão, descemos e saímos na frente da subida do Viaduto. Lá fomos nós. Eu e mais uns inconsequentes que não suportaram a prisão do busão.

De volta para casa
Cheguei em casa após uns quinze minutos de água na cara. Preservei os eletrônicos e ainda passei na padoca para comprar aquele pãozinho francês fresquinho. As meninas do balcão que me conhecem se espantaram e perguntaram: – Seu Salim, o que é isso? Como um pinto molhado, respondo: – Água do céus. Bendita água do céus. Nas ruas inundadas, a enchente é culpa das autoridades e da população porca que joga lixo na rua. Não consegui fazer as fotos, mas as travessas que chegaram a cobrir carros, estavam cheias de papéis, sacos plásticos e outros troços, para não falar outra coisa. Lembrei do filminho dos anos 70: POVO DESENVOLVIDO, POVO LIMPO. Eu acrescentaria POVO CIVILIZADO. Hoje foi um dia daqueles, para os antigos que assistiram a velha Família Trapo da TV Record, canal 7, aquela com o Golias, Jô Soares e Renata Fronzi. Tinha o chefe da família, o comediante ítalo-brasileiro Zeloni que sempre falava quando acontecia uma cagada. "– Tudo acontece comigo, só comigo".

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Blitz do Vital - Eu não vou, vai você! Parte 3

Serviço especializados para pessoas especiais. Rampa para cadeirantes (horário e tipo de ônibus). Vai começar o jogo do empurra-empurra. Enquanto isso quem paga o pato?
Notem os cabos com as emendas (cotovelos) no alto.
Motoristas e cobradores que prestam os serviços de acordo com a direção do vento. Já de um tempo, vimos observando um certo desencontro na forma de colaboração entre os motoristas e os cobradores. Nos anos 2000, quando viajava nos troleibus, o elétrico, morador que era do bairro do Cambuci, notava quase sempre nos trajetos o maior problema dos ônibus elétricos que perdura até hoje e que nenhum engenheiro resolveu. As antenas pantográficas que transmitem a energia elétrica aérea aos acumuladores dos veículos. A cada curva, esses fios que conduzem a eletricidade, ligados através de emenda nos cabos. Existe um "cotovelo" que via de regra provoca um sobressalto na antena, que acaba se soltando e desligando a parte que desliza nos fios, e muitas vezes provocam faíscas assustando os passageiros e pedestres próximos. Pois bem, quem é que vai arrumar e recolocar as antenas nos lugares? Às vezes os motoristas, às vezes os cobradores. Não há consenso. Pura falta de disciplina vinda da garagem, e que os administradores poderiam definir. Simples assim, só que não! "– Deixa para quem quiser ou tiver maior boa vontade!" E em dias de chuvas, nem pensar! Quem vai? Eu não, vai você.

Ei pessoal da garagem!  Vamos acordar?

Essa falta de norma ou diretriz permanece até hoje. Nos veículos especiais, os que possuem sinalização indicativa de ônibus para deficientes físicos, cadeirantes por acaso, não tem a norma definida de quem aciona a rampa para o cadeirante subir e/ou descer. Tenho notado essa tarefa sendo feita em maior número pelos condutores do que pelos cobradores. Sendo que o normal, deveria ser o cobrador, já que o condutor deve estar atento aos comandos do ônibus, tais como freio de mão, portas de acesso e descidas e outros afazeres inerentes a sua principal função. O cobrador que conquistou um enorme alívio com o advento dos cartões magnéticos dos usuários, não precisando se importar com o troco etc, é quem deveria se encarregar de fazer esse trabalho e também das antenas do troleibus, lembram-se?
Acreditamos que a coisa está igual a uma história que ouvi quando jovem, sobre um soldado que ficava ao lado de um banco no quartel lá no estado do Amazonas. Um militar de alta patente em dia de visita viu um soldado ao lado de uma banco e perguntou para o oficial maior, de que se tratava? A resposta foi lacônica. "Temos este posto ocupado por um soldado desde que num tempo passado, quando recebermos a visita de um adido militar francês em nosso quartel, o responsável pelo setor que havia mandado pintar todos os bancos de branco e por não ter tido tempo de secar, colocou um recruta ao lado do banco para avisar que a tinta era fresca". Desde então, é norma ter um soldado ao lado de cada banco na entrada, nas ocasiões onde recebemos a visita de militares de alta patente, finaliza o militar inquerido.
No caso em pauta, os cobradores não fazem esse serviço e pronto. Lá vai o motorista fazer, já que a primeira palavra do usuário é: "Motorista, abra a porta". Se é ele quem abre a porta, ele então que faça a parte de entrada e saída do cadeirante. Simples assim.

Devemos evoluir mais na prestação de serviços

Nas viagens diárias dos ônibus notamos que precisamos evoluir muito. Ninguém se preocupa em melhorar os serviços. Ninguém também não exige melhoras. Reclamações são poucas e nem chegam aos órgãos normativos ou agências reguladoras, e estas por outro lado, não estão preocupadas com esse tipo de serviço. Respondem na defensiva: – Quem mandou não chamar pelo Atende*?
Aqui chegamos ao ponto de imaginar alguns funcionários dizendo: – Quem mandou ser aleijado, deficiente físico ou coisa que o valha? É o fim do mundo. De novo reclamamos a tal falta de treinamento. Cadê o RH, cadê os órgãos disciplinadores? Cadê a sociedade e ativistas da mobilidade? Oi, oi, cadê você? Hi, Hi, Hi.


* O Serviço de Atendimento Especial, ou #Atende, é uma modalidade de transporte gratuito, porta a porta, destinado às pessoas com deficiência física severa, as quais tenham vínculo à cadeira de rodas. Horário do serviço: o Atende funciona das 7h às 20h, de segunda-feira a domingo.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Blitz do Vital - Nossos condutores são os melhores? Parte 2

Colaboradores sem uniforme, sem crachás, cobradores despreparados, mau humorados e distraídos com o celular, etc.
Nossa blitz nos ônibus está sempre atrás de novidades, mesmo aos olhos mais acostumados às viagens diárias. Já abordamos em alguns posts, mas sempre é bom relembrar ou mostrar aos novos leitores as nossas observações nessas blitze. 
Muitos perguntam, por que o maior enfoque nos ônibus? É porque os usuários, os passageiros envolvidos tem um maior relacionamento com os condutores, os motoristas e os cobradores. Já nos trens, a relação dessa interatividade é quase que nula. Não há comunicação entre os condutores e passageiros,  já que os paradas são programadas nas estações, tenha quem sair ou não e ou tenha quem vá embarcar ou não. E dessa situação de envolvimento mais direto, acabam nos oferecendo maiores subsídios. Há casos de relatos surpreendentes. E é justamente sobre esses condutores dos ônibus que iremos discorrer nesse post. 

Limpeza acima de tudo
Muitas pessoas diriam que o ambiente corporativo deve ser bem organizado e isso é importante a partir do front, quando os colaboradores que tem contato direto com o público são notados. Quem é que não gostaria de encontrar um ônibus higienicamente bem limpo, desinfetado e cheirando novo, cuidado que é mantido nos trens do Metrô. Mas, muitas empresas de viação, não fazem isso. Os ônibus vivem imundos, sujos e muitas vezes como relatamos, com vômitos nos assentos, pichações e outros descuidos. É claro que muita coisa tem a ver com a educação dos usuários. Outros nem tanto, passar mal, ter distúrbios intestinais é inerente da vontade das pessoas, mas a limpeza é necessária de forma imediata. Outra coisa é a aparência dos funcionários. Bem penteados, bem barbados, bem vestidos com uniformes e etc. Só que não! Estamos vendo muitos colaboradores sem o uniforme, descuido com a aparência visual. Barba por fazer e cabelos sem pentear. Muitas vezes sem ficar atentos ao trabalho, uns cobradores tiram uma soneca na viagem, isso quando os usuários especiais ou quem paga em espécie não os acordam para validar a passagem na catraca. Mas o que nos choca é a falta da exigência do uso do uniforme. Isso é o mínimo que devemos exigir.

Mau humor dos cobradores

Em um dos posts publicados recentemente, comentamos que é necessário treinamentos aos cobradores e que esses exerçam o direito de pedir aos que ocupam o assento preferencial quando ocupados por pessoas sem o enquadramento de idosos, gestantes e deficientes. Pois bem, além de não haver esse tipo de capacitação, não há regras para a postura desse profissional. A desatenção é grande principalmente quando se está usando o celular ligado nas redes sociais ou nas mensagens online. Tudo pode acontecer ao lado da pessoa que não vê o que se passa em sua volta. Às vezes, fica tão mau humorado que passa a ser agressivo e desconta nos passageiros. 
Presenciamos uma cobradora da linha Lapa/Pça. Ramos - n. 8000 ônibus de numeração 12.969 da Viação Sta. Brígida, no horário das 11:03 horas, que destratou uma gestante que não poderia passar através da catraca, que havia solicitado ajuda da cobradora para girar a catraca e sair pela porta da frente. Resultado: a passageira registrou a reclamação fotografando a pessoa e anotou o telefone para as devidas queixas aos órgãos reguladores do transporte municipal da cidade de S. Paulo. Nós do Instituto Vital apoiamos a atitude da passageira. Assistimos o ocorrido e hipotecamos solidariedade.