quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Muitas vezes uma pequena oferta produz grandes efeitos.

Por que doar?
Quem diria, eu uma pessoa que sempre doou, passou a pedir doações. Pois é como as coisas se transformam. E olhem que eu estou apenas no começo e já tropeço nessa trilha. Como é difícil. Quando via na televisão não sabia a tamanha dificuldade que é. 
Quantas e quantas vezes me senti pequeno ao ver uma reportagem onde uma entidade filantrópica estava à beira de fechar as portas. Causa: falta de fundos. As doações diminuíram e quase acabaram com um sonho, uma vida dedicada à fazer o bem sem ver a quem. Para explicar melhor esse sentimento altruísta , volto aos primórdios da minha adolescência na minha terra natal. Tudo começou quando adolescente ajudava a distribuir a sopa para os necessitados em S. J. do Rio Preto com o prof. Lúcio, um engenheiro da Prefeitura e professor, que pedia ajuda aos seus alunos como eu. Lá íamos apoiá-lo e ajudávamos. 

O NASCIMENTO DA GENEROSIDADE
Talvez nascia lá a minha veia para ajudar aos necessitados. Em sequência vinha o tal dízimo na igreja, a nossa doação mensal e que na época de Natal ficava mais gorda. Entidades espíritas que abraçavam as doações de final de ano, oferecendo a caridade aos mais pobres com presentes e roupas. Lá ia o Salim ajudar. Pegava as sacolas e embrulhos e distribuía. As crianças passavam nos dias de Natal e virada do ano, batiam palmas em frente de casa. "– Boas Festas, moço". Lá ia o Salim dar as moedas e dinheiro nos envelopes. Todo ano. Já adulto em S. Paulo, não via a hora de ajudar as ações nas APAEs, entidades de ajuda aos pobres, algumas debaixo de viadutos e outras em grandes avenidas. Mas nem por isso faltava a nossa solidariedade. Um pouco pra um, outro pouco para outra e assim eu caminhava na árdua luta de contribuir. Lembro algumas palavras que li: "Tudo o que dás, receberás de volta, o que não dás, ficará para os outros", de Rustaveli. 

COMPROMISSO FAMILIAR
Nos dois casamentos tive a ajuda incondicional das minhas ex-esposas nesta empreitada de campanhas para conseguir o máximo para as entidades que havíamos escolhido para contribuir. Teve uma oportunidade que fui com as minhas duas filhas, ainda menores e ao deixar as doações, onde um funcionário super ocupado, disse: – Pode deixar ai no chão, depois a gente pega. E aí a Micaela, a menor estranhou dizendo: – Pai, que grosso! Nem ligou pra gente. E assim que eles agradecem? Tratei de apagar aquele incêndio urgentemente. Às vezes uma má impressão acaba com tudo, interrompe uma lição de vida, um aprendizado. Graças a Deus, hoje as meninas são super afetivas e generosas para com o próximo.

NAS EMPRESAS
Lembro-me que nas empresas em que trabalhei e nas faculdades que lecionei, imperava um desejo meu para ajudar alguma instituição benemérita, religiosa ou simplesmente uma casa de amparo. Quando fui da Abras, fizemos doações para a Casa do Fogo Selvagem em Uberaba. Naquele ano, instituímos que a verba que seria gasta para a confecção e pagamento dos Correios para a postagem, seria inteiramente doada à aquela instituição mineira. E o cartão seria impresso como anúncio na revista que editávamos. Nas escolas, como tema de muitos trabalhos de final de curso, incentivei os meus alunos a escolherem as campanhas publicitárias para as entidades receberam doações. Tempo mais tarde vi esta ação ser reproduzida em várias empresas e a corrente do bem prevaleceu. Em seguida, mais recentemente na última passagem por uma empresa fizemos doações para a fundação para cegos Dorina Nowill e APHAS, entidades filantrópicas. No terreno pessoal, permanecemos com as doações individuais nas igrejas e ajuda com material perecível, roupas e brinquedos aos carentes dessas entidades.

MODELO PARA VIDA
No início do milênio, quando perdi quase tudo que tinha numa malfada aventura empresarial no mundo do marketing esportivo. Quebrei literalmente, após deixar a minha atividade na Abras, acreditei que o novo sonho seria uma boa trilha para o sucesso, e me enganei. Após dois anos e meio com o segmento esportivo, já que naquela época surgia o escândalo da Nike e CBF e algumas pessoas próximas da sociedade, navegavam em órbita daquela entidade, cai fora. E levei um tombo literal. Sem nada, apenas com a dignidade, restou recomeçar. 2001 voltava a luta e mesmo nesta época de penúria não desisti de ajudar quem precisava. Frequentador que era da entidade espírita Perseverança que tinha a ONG Amigos do Bem, fazia de todos os domingos a minha colaboração de fé e ajuda material. Quando no final de cada mês, via os Amigos do Bem, ensacando as compras dos clientes do Carrefour, sentia um arrepio, pois acreditava nas pessoas doadoras e de bem. Sempre estava lá ajudando e contribuindo. No começo bem pouco, pois não tinha nem para mim, mas durante que o tempo aumentava, na mesma proporção vinha a minha doação,  eu reavia paulatinamente o que havia perdido naquele tempo anterior. Lembro das palavras: "A caridade é o único tesouro que se aumenta ao dividi-lo", de Cesare Cantú. O preço da generosidade é bem baixo em relação ao lucro que você receberá durante a sua vida, acredite.

DO OUTRO LADO
Hoje estou com o boné nas mãos. Não me envergonho de pedir. O Instituto Vital do Bem Estar a Terceira Idade, os Anjos da Terceira Idade, precisam de fundos para cobrir os custos dos projetos, da manutenção da sede e o funcionamento pleno. Temos ai uma época boa para as empresas deduzirem de seus impostos. Vejam o que a lei diz no Art. 365. São vedadas as deduções decorrentes de quaisquer doações e contribuições, exceto as relacionadas a seguir (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso VI, e § 2º, incisos II e III):
II - as doações, até o limite de dois por cento do lucro operacional da pessoa jurídica, antes de computada a sua dedução, efetuadas a entidades civis, legalmente constituídas no Brasil, sem fins lucrativos, que prestem serviços gratuitos em benefício de empregados da pessoa jurídica doadora e respectivos dependentes, ou em benefício da comunidade onde atuem.
E também aos bons de coração, que por ventura desejam contribuir com qualquer importância, agradecemos desde já sua boa vontade. Aos que doarem acima de R$ 200,00, nós enviaremos até os seus respectivos endereços com as despesas correndo por nossa conta, um lindo mimo, que é uma ampulheta, símbolo do nosso instituto. Representando o nosso foco, o idoso, que é um indivíduo que está na parte final da vida, daquela parte da areia que está chegando ao fim, mas que também tenha uma fase onde a sua vitalidade e a nossa ajuda voltada ao respeito estabelecido no Estatuto do Idoso, lhe proporcione um alento para se viver com dignidade. Finalizo este texto escrito em nome das doações, quer de tempo, atenção, valores espirituais e de importâncias monetárias, lembrando Séneca que disse: "Muitas vezes uma pequena oferta produz grandes efeitos". Obrigado.

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