terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Natal é época de se doar. E o resto do ano?

O meu conto de Natal.

Desde criança sempre curti a época natalina. Até aí isso é perfeitamente normal. Que criança não é obcecada no Papai Noel e sua trupe. Quem é que não sonha acordado de 24 para 25 de dezembro. Porém, depois da minha infância o meu natal se tornou algo diferente. Seria o natal da solidariedade. Muitas e muitas vezes na adolescência me via entregando roupas e presentes para as adultos e crianças carentes, quer nas entidades comunitárias, quer nas ruas. Eramos um grupo de jovens que buscava a justiça social durante o ano com alimentos e a sopa comunitária num asilo e a aguardada época de final de ano, para as tais ações de boas festas. O que rolava de endorfina nas veias, uma incrível sensação permeava em nossos corpos e mentes. Após adulto, estranhamente se arrefeceu. Problemas de trabalho durante as atividades diárias me afastavam daquele caminho que me dava prazer acima de tudo. Era uma adoção de apenas uma criança na creche ou na igreja. Mas isso me chateava ao invés de dar prazer. Assim passaram vários anos. Retomei após passar uns 20 anos, talvez depois de ter os primeiros filhos já crescidos e na chegada da caçula, Micaela, nos anos 90. 

De volta com as ações

A vocação e a devoção falaram mais alto. Que alegria imensa. Que mar de prazer batia suas ondas gigantes no meu coração, um verdadeiro tsunami invadia de costa a costa, norte (cabeça) e sul (pés). Voltava a viver, parecia que nasci de novo. O verdadeiro amor é aquele que arrebata, toma conta de tudo. E invadido daquele renovado sentimento partíamos para a entrega total. Passei a frequentar uma entidade filantrópica após o milênio, chamava Amigos do Bem, vinculada a outra entidade espírita Perseverança, da zona leste, no bairro Santa Clara mais precisamente. Ali era doação o ano inteiro e mais intensa ainda no período de dezembro. Mas tarde, comecei a buscar em outras entidades menores, já que os Amigos do Bem se tornara uma gigante e seguiria o seu caminho tranquilamente, então busquei ajudar as menores, as menos organizadas. O pensamento de ajuda é o mesmo, apenas vemos e reconhecemos uma outra diversificação. Hoje frequento na zona oeste uma entidade social espírita, Caminhos de Damasco. E neste ano, onde tivemos mais dificuldades com problemas pessoais de saúde e desligamento de atividades de trabalho, buscamos forças para fundar o nosso instituto de cunho social, o Vital da 3a. Idade. Já que ajudei tantos outros, por que não fazer o nosso próprio? É mais difícil, sim. Mas é mais prazeroso também. Muitos percalços teremos. E porque não vencê-los? Meu desejo de Natal é que todos os velhinhos, os nossos idosos, tanto quanto o Papai Noel, sejam abençoados com saúde, respeito e carinho de todos nós. Existe melhor presente? O amor de Jesus Cristo que nos legou é o maior e melhor remédio para que esses idosos enfrentem o limiar de suas vidas. Presentes? O melhor presente é o respeito. Já pensaram se o Papai Noel estivesse num ônibus e não houvesse lugar nos assentos preferenciais? Aposto que todos lhe ofereceriam os seus assentos ao bom velhinho. Mas se fosse um idoso comum? Que diferença haveria? A roupa vermelha? A barba branca e a obesidade? Que nada. Fomos criados para agirmos conforme os sentimentos, agiríamos como hoje, ignoraríamos. 

Doar-se o ano inteiro


De janeiro a novembro, somos brutos, vivemos numa selva de pedra e os sentimentos ficam guardados numa gaveta em casa, viramos seres individualistas extremados. Só a abrimos em dezembro. Quanta perda de energia e sentimentos de generosidade. 11 X 1 ou 334 X 31. Que números tristes. Apenas a intensidade dos 31 dias contra os 334 restantes que equivalem mais. Mais amor, gente. Mais doação de sentimentos, mais calor afetivo, mais papais noéis em vossos corações. Inundem desses bons sentimentos nos 365 dias do ano. Pelo menos, mais atenção aos inúmeros velhinhos nos assentos preferenciais e nos outros também, isso já fará a diferença. Você sabia por que o Papai Noel trabalha sentado? Quer no trenó, quer nos shoppings, naquela poltrona enorme. É porque ele é um velhinho, ele é um idoso, lembre-se disso, sempre.

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