quarta-feira, 7 de maio de 2014

Inconformado com tanto descaso. Acorda sociedade.

EDITORIAL
Hoje deixaremos de destacar mais um nome célebre na Galeria dos Idosos Sábios e vamos falar de algo que julgamos muito sério. Desde quando resolvi abraçar a ideia de fundar o Instituto Vital, utilizo-me de coletivos em S. Paulo. A ideia tomou fôlego há mais ou menos três anos atrás, mas trago a sementinha de outros tempos, volto aos anos 80, quando não havia rodízio na cidade de S. Paulo e por iniciativa própria guardava um dia da semana, às quartas-feira, quando deixava o meu carro na garagem. 
Ônibus elétrico dos anos 90 (divulgação)
Pensava naquele tempo em ser uma pessoa engajada no modelo adotado anos mais adiante com o rodízio obrigatório implantado pelo prefeito Celso Pitta em 1993 na capital de S. Paulo. Para tal me servia de coletivos na cidade de S. Paulo. Usava em muitos trechos o famoso ônibus elétrico, os trólebus azuis antigos e desconfortáveis da CMTC*, alguém arrisca-se a traduzir essa sigla? Naquelas quartas-feira lá ia o jovem Salim sentado e pensativo. Nessa época não havia assentos preferenciais, mesmo porque as linhas destes ônibus eram utilizadas por passageiros tradicionais, pois além de trafegar nos antigos caminhos que eram os trilhos dos bondes, era lento por ser um veículo pesado e trafegava devagar quase parando para não ter a régua elétrica desprendendo-se dos fios aéreos. Pois bem, passamos para os anos do novo milênio, novos ônibus, quer elétricos quer movidos a outros tipos combustíveis, até a novíssima Ecofrota. 
Agora com a plena vigência do Estatuto do Idoso, a população idosa mais ativa e trabalhando para sobreviver, encontra-se com a população mais jovem se valendo dos meios de transportes, monidos da tecnologia dos smarts phones com música através do head-set, fazendo com que após colocá-los nos ouvidos se transformem em verdadeiros zumbis e ainda com um tremendo efeito instantâneo de adormecer imediatamente após se sentar.
Vivemos um verdadeiro choque de gerações. 

De um lado, a geração idosa, carente de respeito e merecedora das nossas atenções e benevolência. E de outro lado uma geração que cresceu abandonada de princípios básicos de educação e civilidade, oriunda de famílias, cujos pais que optaram para a separação, ignorando a responsabilidade de educar os filhos, colocando-os no mundo e nem se importando pelo seu futuro. Alia-se ao fato dos governos e autoridades pouco se importarem com essas deficiências e mazelas da sociedade. Nesse caos surge o Terceiro Setor para suprir essas deficiências e cobrir lacunas. 
E finalizando a título de curiosidade, lembro que ontem (05/maio/14) ao comentar uma foto postada por um amigo nas redes sociais e quando a reproduzi, transformou-se num verdadeiro fórum informal, vi o quão estamos corretos em insistir na ideia de constituir uma Ong - Instituto Vital/Anjos da 3a. Idade e batalhar para a melhoria e reafirmação do respeito aos direitos adquiridos dos idosos (Estatuto do Idoso - LEI No 10.741, DE 1º DE OUTUBRO DE 2003.).
Porém hoje, dia seguinte do post, me vejo novamente usando um coletivo, o ônibus da Viação Sta. Brígida, linha 8400 - com licença de no. 11.884 saindo do centro de S. Paulo e com destino a estação terminal de Taipas, zona oeste do município de S. Paulo. Sento-me no assento preferencial destinado às pessoas obesas, deficientes físicos, mulheres grávidas e/ou com criança de colo e idosos, e me deparo com estado do adesivo legal e obrigatório. Totalmente danificado. Fiquei pasmo e inconformado. Ninguém se importa. Essa é a nossa sociedade. Educação zero. Cidadania zero. Respeito zero. Cuidados e manutenção por parte de empresa consorciada zero. 
Mas não vamos desistir. A cada zero que constatarmos, faremos um 100. 100 de vontade de mudar, 100 de engajamento, 100 de insistência para melhorar, 100 de coragem para enfrentar, 100, 1.000, um milhão... Caminharemos firmes e fortes com a nossa ideia de melhorar esta nossa sociedade totalmente destruída de seus valores e princípios. 
Se Cristo dizia no alto da cruz: "Pai, eles não sabem o que fazem" e isso já dura 2014 anos. "Eles" hão de mudar, mesmo que seja um pouco, já me darei por satisfeito.
Precisamos da ajuda de todos que desejam mudar este estado de coisas. Conto com você, você e você. 
A propósito, notifiquei a empresa de viação pela Ouvidoria do SPtrans 156.

*CMTC: Companhia Municipal de Transportes Coletivos. 


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